Tomás José da Anunciação nasceu a 26 de Outubro de 1818 em Lisboa na freguesia da Ajuda. Desde cedo o pintor revelou inclinação para o desenho, chegando a ser praticante desenhador no Museu de História Natural, onde a sua vocação como paisagista e animalista se formou.
Quando a Academia de Belas-Artes abriu as suas portas, em 1836, Anunciação, então com 19 anos, foi dos primeiros a matricular-se. Mas o academismo neoclássico agonizante que então imperava, frustrou os seus desígnios de pintor ao natural, razão pela qual se associou aos seus colegas erguendo protestos contra os métodos de ensino defendendo com entusiasmo uma pintura com características diferentes das impostas na Academia.
A pintura de eleição de Tomás da Anunciação começa a ser reconhecida quando estabelece relação com o príncipe consorte D. Fernando de Saxe-Coburgo, que em 1848 lhe adquiriu uma tela, tendo a sua fama prosperado a partir de então, registando-se numerosas encomendas. Entre outros encomendadores contam-se o duque de Palmela, o conde de Carvalhal, o conde Daupiás e também alguns pintores como Delfim Guedes (futuro conde de Almedina) e Luís Tomasini. Este último foi também seu discípulo e encontra-se representado nas colecções do Museu Quinta das Cruzes com a tela Vista da Ilha da Madeira, com casa com bandeira real, datada de 1862.
O reconhecimento da obra de Tomás da Anunciação confere-lhe em 1852 a entrada na Academia de Belas-Artes como professor substituto da cadeira de Pintura de paisagem, animais e produtos naturais, e cinco anos depois é nomeado professor titular. Com ele entrava definitivamente no ensino a prática da paisagem natural e costumes.
Em 1862, fruto do esforço entre outros de Anunciação, é fundada a Sociedade Promotora de Belas-Artes, que se traduziu numa maior liberdade de criação e de divulgação, alargando os limites da vida artística.
A temática normalmente representada nas suas telas incidia na paisagem e na animalística, e por vezes nas cenas relacionadas com os trabalhos agrícolas; no entanto o êxito que Tomás José da Anunciação conheceu relaciona-se mais com a fama de pintor animalista.
Apenas em 1867, com 49 anos de idade, efectuou a sua primeira viagem a Paris, aquando da Exposição Universal para que fora seleccionado. Fruto desta deslocação, sem dúvida, inicia um novo período, mais adaptado ao moderno naturalismo. Alguns anos passados expôs pela primeira vez em Madrid (1871), tendo sido premiado com a Medalha de Prata.
Por nomeação régia, chegou a ser professor da rainha D. Maria e Director da Galeria da Ajuda. Já no final da vida e doente, foi também Director da Academia de Belas-Artes (1878).
O mais persistente de entre os pintores românticos portugueses viria a falecer em 1879 imortalizado na tela de João Cristino da Silva (1829-1877) Cinco Artistas em Sintra, pintada em 1855, retratando Anunciação com Francisco Metrass (que viria a morrer tuberculoso na Madeira), Vítor Bastos, José Rodrigues e o próprio Cristino da Silva, numa composição ao ar livre, homenagem suprema a um pintor amante por excelência do natural.
Na sua colecção, o Museu Quinta das Cruzes possui três pinturas de Tomás da Anunciação: Feira de Gado, datada de 1861; Vista da Baía do Funchal de Santa Catarina, de 1865; e Piquenique, também de 1865 onde surge retratada a família do 2.º Conde de Carvalhal, D. António Leandro de Câmara Leme Carvalhal Esmeraldo de Atouguia Sá Machado (06.10.1831-04.02.1888). Estas duas últimas pinturas atestam a presença do pintor na Ilha, provavelmente a convite do próprio conde de Carvalhal, o mais provável proprietário original destas três pinturas.



Baía do Funchal vista de Santa Catarina, Tomás José da Anunciação, 1865, pintura a óleo sobre tela

Baía do Funchal vista de Santa Catarina

Tomás José da Anunciação

1865