Marcas:
Centro de fabrico: L, de Lisboa, de 1795-1804 (L.31, M.A.)
Ourives: AFC, António Firmo da Costa, registado em 1793 (L.78, M.A.)
Prata / Fundida, levantada e cinzelada
Legado João Wetzler, 1966
MQC 1801

O final do século XVIII e as primeiras décadas do século XIX representaram um período extremamente activo e brilhante da ourivesaria portuguesa. Este gomil da autoria do ourives António Firmo da Costa, é representativo desta produção, modelo de transição para o neoclassicismo, reconhecível na modelação do corpo, bem como nos frisos perlados que bordejam o bocal, o colo e a base, contrastando com a asa, onde se detecta a presença do Rocaille.
António Firmo da Costa nasceu a 1 de Junho de 1767, e foi baptizado no dia 4 desse mesmo mês. A documentação sobre a sua vida é escassa e insuficiente para colmatar diversos períodos de tempo, permitindo apenas refazer parte do seu percurso profissional.
Em Fevereiro de 1780 é inscrito como aprendiz do ofício de ourives da prata pelo Mestre Francisco Manuel de Paula Castilho, com quem já praticava desde 1779.
Após os cinco anos de aprendizagem, foi aceite como oficial e confrade, e finalmente, a 22 de Março de 1790, António Firmo da Costa completa o seu exame de mestre ourives do ofício da prata da Confraria de S. Elói, apenas com a idade de 22 anos. Três anos depois, a 31 de Janeiro de 1793 é feito o termo de registo do seu punção, no Senado da Câmara Municipal de Lisboa.
O início do seu negócio parece ter sido próspero porque já no ano de 1800 assina um contrato de arrendamento de três lojas comunicáveis na esquina da Rua da Rainha com a de S. Julião, em Lisboa.
A sua clientela era bastante alargada e compunha-se de reis, aristocratas, eclesiásticos e burgueses, demonstrando o apreço social que o seu trabalho atingiu. Com uma extensa produção, as suas obras abarcaram múltiplas tipologias (gomis, bacias, castiçais, escrivaninhas, serviços de chá e de café, e outros objectos de mesa), com uma denotada preferência pelas peças de uso quotidiano, onde desenvolvia o seu apurado sentido estético em relação com a funcionalidade dos objectos que criava.
António Firmo da Costa morre em Lisboa a 2 de Abril de 1824, quando ainda não completara 57 anos.
A sua actividade permanece registada de 1793 a 1824, destacando-se a sua importância no contexto e evolução da ourivesaria portuguesa na transição do século XVIII para o XIX.