Arte Namban (Período Momoyama)
Japão, final do século XVI
Madeira, laca, madrepérola, cobre e pó de ouro e prata/Madeira lacada (uruxi), aplicação de pó de ouro e prata (maqui-é), incrustações de madrepérola (raden). Ferragens: cobre gravado e dourado
Aquisição, 1998
MQC 2249

Escritório de banca de proveniência japonesa produzido para exportação. Estes móveis recorriam a modelos portugueses ou europeus, quanto à sua forma, recorrendo à tecnologia indígena. Apresenta uma estrutura de madeira, normalmente criptoméria do Japão, (uma madeira particularmente leve), lacada a negro (uruxi), decorada com motivos vegetalistas luxuriantes, enquadrados por faixas decorativas de raiz geométrica, que emolduram as composições. São pintados a dourado, através da aplicação de pó de ouro e prata (maqui é), com incrustações de madrepérola (raden).
Na frente do escritório, como é comum nos exemplares desta época, as faces laterais e o tampo, formam um rebordo saliente, rematadas por elementos de metal, cantoneiras.
Todas as ferragens apresentadas são de época, realizadas em cobre gravado e dourado.
As gavetas têm dimensões variadas, em volta de uma central, com arco superior relevado, próximo aos modelos ibéricos coevos. A decoração recorre maioritariamente aos motivos de campânulas.
A decoração interior do batente recorre aos delicados motivos do Feijoeiro do Japão (Kusu) e a exterior ao denominado Bordo do Japão (momizi), e onde entre os ramos, voam pássaros.
Veja se proximidade deste exemplar com a arca escritório do Museu da Câmara de Arraiolos, ou com o escritório apresentado em A Arte e o Mar, ou com o apresentado por Bernardo Ferrão.

Francisco António Clode de Sousa