No conjunto do Mobiliário estrangeiro presente nas colecções do Museu, assume particular relevância o Mobiliário de proveniência inglesa. A estreita ligação entre a Madeira e a Inglaterra, iniciada por via do intercâmbio comercial estabelecido já em finais do século XVII com a produção e comercialização do vinho, encontra-se também documentada através da importação de peças de Mobiliário.
Este conjunto, representativo de diversos estilos ingleses (Chippendale, Hepplewhite, Sheraton, etc.), situa-se cronologicamente entre os séculos XVIII e XIX, e abarca diversas tipologias: mesas de jogo, cadeiras, sideboards, tallboys, etc.
Dispersos pelas salas de exposição encontramos, maioritariamente, alguns exemplares representativos do estilo Chippendale - expressão tornada corrente desde meados do século XVIII e usada para se referir ao mobiliário desenhado pelo inglês Thomas Chippendale e outros seus contemporâneos por volta de 1750/70 -, e também exemplos do Mobiliário influenciado por George Hepplewhite, com os seus característicos espaldares em forma de escudo, ânforas e festões de espigas de trigo, graciosamente interligados por fitas habilmente entrelaçadas.

Integrado no núcleo de Mobiliário estrangeiro, destacamos ainda o de proveniência espanhola, presente nos dois contadores hispano-árabes dos séculos XVI/XVII, denominados Vargaños (exemplares de um mobiliário que se difundiu na Península Ibérica, sobretudo no sul de Espanha, a partir da cidade de Vargas), e o de proveniência francesa (maioritariamente do final do século XVIII e abarcando todo o século XIX).
Do Mobiliário em análise encontramos também presentes no Museu as influências de cariz oriental. Deste núcleo, salientamos as peças indo-portuguesas, onde se destacam dois contadores indo-portugueses, datados do século XVII, que surgem documentados como pertencentes ao mobiliário da «Harewood House», Leeds, e que foram vendidos por ordem da irmã do rei Jorge VI da Grã-Bretanha; e também a presença da produção japonesa namban com um escritório de banca datado do final do século XVI (período Momoyama).


Escritório com base/Vargaño, Espanha, século XVII

Escritório com base - Vargaño

Espanha, século XVII

Nogueira (?), ferro, marfim (?) e seda/Entalhada, torneada, dourada e pintada. Embutidos. Ferro forjado. Tecido: veludo cortado vermelho.

Aquisição Junta Geral, 1952

MQC 1059

Nota: No interior do nicho central, tem pintada uma representação de Santa Catarina.