O núcleo de esculturas de produção oriental do Museu Quinta das Cruzes integra sobretudo objectos de origem indiana.
A importação de peças de manufactura oriental constituiu um atraente mercado de importação para o espírito consumista europeu de Quinhentos e Seiscentos: porcelanas, marfins, tecidos e mobiliário, todos eram avidamente procurados numa sociedade em busca de “curiosidades”.
Na mesma altura, os movimentos de missionação, justificados pela nova mobilização católica que a reforma luterana tinha provocado, expandem-se por todos os territórios conhecidos e “recém-descobertos”.
Quando estes movimentos de evangelização tiveram início não existiam núcleos de missionários artistas em número suficiente que suprissem as necessidades crescentes da procura de imagens destinadas à catequese e ao culto público em igrejas e capelas instituídas. Foi necessário recorrer aos artesãos locais que, tradicionalmente conhecedores do trabalho em marfim, foram produzindo essas imagens, inspirando-se em modelos levados da Europa.
Mas no auge do século XVII, estas peças representam, acima de tudo, o fruto do cruzamento genético das estéticas orientais e ocidentais; materializam o expansionismo missionário e a pregação de novos princípios morais (teológicos) às sociedades dos novos mundos, impregnadas dos ditames canónicos editados pelo Concílio de Trento (1545-1563) e do novo fervor Evangélico e Apostólico que preside às missões, entre as quais se destacam as da Companhia de Jesus.