À semelhança do que acontecia noutras paragens, também na Madeira, por meados do século XIX, alguns artistas residentes e de passagem detiveram-se na representação de costumes e paisagens, sobretudo através do desenho, da aguarela e da gravura, numa extensão do gosto romântico que então imperava, recriando a experiência vivida nestas Viagens na Madeira Romântica.
Quase sempre ordenados em álbuns, estes «sketches» que às vezes nem passavam de fugazes apontamentos de viagem, prefiguravam a «arte final» desses álbuns que, ao tempo, tanto sucesso alcançaram.
O núcleo de Desenhos e Gravuras do Museu Quinta das Cruzes engloba um conjunto de peças bastante interessante e coesivo, agrupando um total de 446 peças, que incluiu diversos autores, alguns que visitaram a Ilha da Madeira, no século XIX, tais como Andrew Picken, Emily Geneviève Smith, o rev.º James Bulwer, Frank Dillon, e aqueles que apenas entraram em contacto com a


 Drilling
 Official Dress of the members of Camera or Senate on the Death of the King and Accession of his Successor
 Priests in different Attire

1. Drilling

2. Official Dress of the members
 of Camera or Senate on the
Death of the King and Accession
of his Successor
3. Priests in different Attire

Grav. Rudolph Ackerman, 1821

realidade da Ilha através de representações de outros como Rudolph Ackermann.
Nesta colecção, encontramos representadas diversas paisagens, costumes e tradições, tipologias arquitectónicas, numa tentativa de captação das “típicas” vivências da Madeira, por vezes retratados de modo caricato, como é o caso das gravuras de Ackermann.
E se nem sempre estas peças valem como manifestação artística, constituem sem dúvida, elementos valiosos de estudo e valorização do património, pelo enorme manancial de informação histórica, que nos é dada a conhecer ao contemplarmos as impressões da Ilha captadas pelo olhar de artistas estrangeiros.
Mas também a vaga de interesse por estas ilustrações da realidade madeirense, assume um carácter peculiar. Como nos recorda o Dr. Elmano Viera nos seus artigos dedicados às Estampas da Madeira, o movimento terá tido início em Dezembro de 1934, com uma exposição de Indústrias Regionais, organizada pelo Rotary Club do Funchal, que apresentou uma colecção de estampas, na sua maioria reproduções litográficas de pinturas e desenhos de autores estrangeiros, datadas do século XIX.
Um ano depois, em meados de 1935, o mesmo Rotary Club, publicou um Álbum contendo 224 estampas (paisagens, costumes, trajes, edifícios e marinhas), onde se inseriam obras de Picken, Dillon, Eckersberg e estampas avulsas de Emily Geneviève Smith, Andrew Picken, R. Westall, W. Westall, entre outros.
No seguimento destas iniciativas, a Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal, foi adquirindo estampas, e no Natal de 1949, promoveu uma exposição nas salas da então Casa-Museu da Quinta das Cruzes que teve uma enorme repercussão junto do público madeirense.