A origem da produção de faiança em Portugal remonta à dita louça malegueira, produção que surge documentada em Lisboa no século XVI associada a artesãos andaluzes.
Na 1.ª metade do século XVII, a faiança portuguesa define-se pela sua original adaptação de motivos ornamentais do Oriente (executados em pintura em tons de azul cobalto), a par da qualidade da manufactura, o que é comprovado através das recentes teorias de exportação desta faiança para a Europa durante este período.
O carácter específico desta faiança resulta do crescente fascínio pela porcelana chinesa que nesta época invadia os mercados nacionais. Símbolos orientais, desprovidos de qualquer sentido para os ceramistas portugueses, são manipulados familiarmente por estes artesãos que os reinterpretam em novas composições, onde se mesclam influências orientalizantes e a permanência de valores tradicionais, num estilo híbrido. Elemento característico deste novo estilo são os célebres pratos de «aranhões», que irão dominar até finais de Setecentos.
Mas a 2.ª metade do século XVII traz-nos algumas alterações a este panorama. Devido a medidas restritivas impostas pelos mercados europeus, a exportação de faiança portuguesa diminuiu. Como resultado deste decréscimo a produção, que então passa a ser feita apenas para o mercado nacional, adquire novas características: os contornos tornam-se mais rígidos, as temáticas que surgem nas zonas mais amplas dos fundos dos pratos adoptam uma feição mais ocidental com representações de alegorias, figuras zoomórficas e cenas quotidianas.
Na transição do século XVII para o século XVIII, associa-se também a este movimento uma menor procura por parte dos encomendandores portugueses, mais inclinados para as baixelas em prata e porcelanas chinesas de encomenda, financiadas pelo crescimento económico propiciado pela descoberta das minas de ouro e de pedras preciosas no Brasil.
A crise da faiança portuguesa será ultrapassada com a sua mais profunda reforma – a reforma industrial, que será fomentada durante o reinado de D. José (1750-1777) pelo Marquês de Pombal na segunda metade do século XVIII. Entre 1767 e 1810 serão criadas 56 fábricas de cerâmica em Portugal, dispersas por Lisboa, Região Norte (Viana e Porto), Região Centro (Aveiro, Coimbra, Caldas da Rainha) e Sul (Estremoz).
É neste contexto que foram levadas a cabo profundas alterações que promoveram a actualização da cerâmica através da contratação de técnicos estrangeiros, da adopção e renovação de modelos de produção, das formas e dos equipamentos, e da concessão de privilégios comerciais.
No entanto, apesar de todos os esforços, as fábricas de cerâmica portuguesas, como que amaldiçoadas, foram atingidas por diversas tragédias desde incêndios, a falências e múltiplos trespasses,crises políticas e invasões, que culminaram na quase total extinção das mesmas.